Dia Internacional das/os Ambulantes – Carta aberta à sociedade

Comissão Nacional de Ambulantes – Carta aberta à sociedade

Dia internacional das/os vendedoras/as ambulantes

14 de Novembro de 2013

Trabalhadores(as) ambulantes também possuem direito ao trabalho na cidade! Hoje, na Copa e sempre! A Comissão Nacional de Ambulantes, formada por representantes de diversos estados, juntamente com a StreetNet Internacional e o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos (CGGDH), envia carta aberta à sociedade para comemorar o Dia Internacional da/o Vendedor/a Ambulante, demarcando a luta por reconhecimento social e pelo direito ao trabalho.

A Comissão Nacional de Ambulantes vem se reunindo desde 2011 com o apoio da StreetNet e do CGGDH, com o intuito de criar uma força nacional capaz de resistir aos processos excludentes que vêm ocorrendo nas cidades e que são intensificados com a proximidade da Copa do Mundo da FIFA. Celebrando o dia em que ambulantes do mundo inteiro vão às ruas para festejar uma das profissões mais antigas do mundo, a Comissão Nacional de Ambulantes solta a voz para exigir reconhecimento e garantia do direito ao trabalho.

A carta coloca: “Nossa escolha pelo trabalho ambulante representa, muitas vezes, uma oportunidade aberta para a manutenção de nossos lares, para o pagamento da alimentação de nossa família, dos serviços de água, luz e telefone que abastecem nossas casas, do custeio da educação de nossos filhos, do pagamento do aluguel ou da prestação de nossas casas, entre tantos outros direitos que efetivamos com o suor de nosso trabalho nas ruas. Se o trabalho deve dar dignidade ao ser humano, por que não podemos garanti-lo no comércio de rua?”

Para a comissão, o dia 14 de novembro é importante para demarcar a “busca de conquistas e denunciar a opressão provocada pelos grandes grupos econômicos e pelos governantes. Ainda estamos sedentos de direitos e de regulamentação que reafirme o papel social do trabalhador ambulante ao invés de criminalizá-lo e reprimi-lo. Em uma sociedade absurdamente desigual e sem emprego para todos, reprimir trabalhadores ambulantes é tão contraditório quanto manter as grandes fortunas imunes de tributação.”

A carta ainda denuncia “Estamos enfrentando dificuldades para garantir o direito ao trabalho principalmente nas cidades que sediarão a Copa do mundo da FIFA de 2014. Muitas das capitais que receberão os jogos vêm realizando um processo de “higienização” urbana, que tira das áreas de interesse turístico e econômico das cidades tudo o que lembre a pobreza. Milhares de ambulantes vêm sendo removidos das ruas como obstáculos para a paisagem, sem ter nenhuma garantia assegurada e nem mesmo espaço de negociação com o poder público. Somos trabalhadores(as) dignos(as), temos nosso meio de sobrevivência arrancados de nós e ainda somos tratados como criminosos”.

E sob a ameaça de que durante a Copa serão proibidos de trabalhar propõem: “Seria justo que o poder público se responsabilizasse em garantir o sustento das famílias afetadas por essa restrição, abrindo outras frentes de trabalho, como áreas com telões, evitando assim que trabalhadores ambulantes, impedidos de trabalhar, sejam colocados em situação de alto risco social, e também para que a festa seja verdadeiramente para todos. O que não admitimos é sermos excluídos e ainda ignorados, veementemente desrespeitados enquanto cidadãos trabalhadores que somos.

A carta é concluída com a afirmação de que os(as) ambulantes são trabalhadores e também têm direito à cidade, e avisa que a categoria está se organizando e lutará até o fim pelo direito ao trabalho.

Para mais informações, entre em contato com: Maíra Villas-Bôas Vannuchi, StreetNet International – Organizadora da Campanha Cidades para Todos e Todas, Brasil: mairavannuchi@gmail.com Tel: 55 21 84668586 / 35927901

 Carta aberta à sociedade – DIA INTERNACIONAL DO(A) AMBULANTE – 14 DE NOVEMBRO

Trabalhadores(as) ambulantes também possuem direito ao trabalho na cidade!!

Nós trabalhadores(as) ambulantes existentes nos centros urbanos de centenas de cidades brasileiras, conscientes da dignidade de nosso trabalho e de sua importância para o sustento de nossas famílias, apresentamos a presente CARTA ABERTA à toda a sociedade para comemorar, neste dia 14 de novembro de 2013, o dia internacional do trabalhador ambulante. Escrevemos também para denunciar as violações que vêm ocorrendo em diversas cidades em nome da Copa do mundo de 2014.

Sabemos que nossa atividade é importante para a economia, especialmente para proporcionar o acesso aos diversos bens e produtos produzidos na sociedade como, por exemplo, chapéus, roupas, sapatos, eletrônicos, utensílios domésticos, material de informática, bijuterias, alimentação, bebidas, doces, salgados, acessórios masculinos e femininos, bilhetes de ônibus, entre outros milhares de produtos consumidos diariamente pela população brasileira de todas as faixas econômicas, raça, credo e origem. Quem nunca comprou algum produto com um ambulante que atire a primeira pedra!!

Nossa escolha pelo trabalho ambulante representa, muitas vezes, uma oportunidade aberta para a manutenção de nossos lares, para o pagamento da alimentação de nossa família, dos serviços de água, luz e telefone que abastecem nossas casas, do custeio da educação de nossos filhos, do pagamento do aluguel ou da prestação de nossas casas, entre tantos outros direitos que efetivamos com o suor de nosso trabalho nas ruas. Se o trabalho deve dar dignidade ao ser humano, por que não podemos garanti-lo no comércio de rua?

Também estamos nas ruas, pois nela não há os portões das fábricas ou as cercas das fazendas para privatizar os meios de subsistência barrando nossa passagem em busca de sobrevivência nos centros urbanos ou quando lutamos para garantir o futuro de nossas famílias. O comércio realizado nas ruas é uma atividade histórica. Acreditamos que o espaço público é um espaço eminentemente de trocas: trocas de mercadorias, trocas de informação, trocas de conhecimento, trocas de experiências de vida, trocas pessoais e coletivas, trocas de valores, entre outras.

Queremos transformar este dia nosso em um dia marcado pela busca de conquistas e contra a opressão provocada pelos grandes grupos econômicos e pelos governantes. Ainda estamos sedentos de direitos e de regulamentação que reafirme o papel social do trabalhador ambulante ao invés de criminalizá-lo e reprimi-lo. Em uma sociedade absurdamente desigual e sem emprego para todos, reprimir trabalhadores ambulantes é tão contraditório quanto manter as grandes fortunas imunes de tributação.

Estamos enfrentando dificuldades para garantir o direito ao trabalho principalmente nas cidades que sediarão a Copa do mundo da FIFA de 2014. Muitas das capitais que receberão os jogos vêm realizando um processo de “higienização” urbana, que tira das áreas de interesse turístico e econômico das cidades tudo o que lembre a pobreza. Milhares de ambulantes vêm sendo removidos das ruas como obstáculos para a paisagem, sem ter nenhuma garantia assegurada e nem mesmo espaço de negociação com o poder público. Somos trabalhadores(as) dignos(as), temos nosso meio de sobrevivência arrancados de nós e ainda somos tratados como criminosos.

Além disso, existe o anúncio de que durante a Copa ninguém trabalhará nas áreas reservadas para a FIFA. Seria justo que o poder público se responsabilizasse em garantir o sustento das famílias afetadas por essa restrição, abrindo outras frentes de trabalho, como áreas com telões, evitando assim que trabalhadores ambulantes, impedidos de trabalhar, sejam colocados em situação de alto risco social, e também para que a festa seja verdadeiramente para todos. O que não admitimos é sermos excluídos e ainda ignorados, veementemente desrespeitados enquanto cidadãos trabalhadores que somos.

Também reafirmamos o que vem sido reivindicado nos espaços políticos de Direitos Humanos:

– Nosso repúdio às políticas de gestão das cidades baseadas no modelo de cidade-empresa, caracterizada pela apropriação dos recursos públicos por poucos grupos privados, pela criminalização da pobreza, por processos de remoção, e pela redução da cidade a sua faceta de exportação.

– Que os governos federal, estadual e municipal promovam a integração progressiva do comércio informal que realizam as pessoas com pouca renda ou desempregadas, evitando a eliminação e disposição de espaços para o exercício de políticas adequadas para sua incorporação na economia urbana.

– Que as políticas de gestão urbanística e social das cidades necessariamente atendam, prioritariamente, às demandas sociais locais, e não a projetos estruturantes de megaeventos e grandes empreendimentos.

– Que sejam adotadas medidas que garantam que as pessoas que trabalham como vendedores ambulantes não sejam submetidas a hostilidades, incluindo penalizações por razões relativas à organização de megaeventos esportivos e megaempreendimentos.

 Somos trabalhadores no comércio ambulante e também temos direito à cidade!

 Estamos nos organizando e lutaremos até o fim pelo direito ao trabalho!

 Viva o(a) ambulante, o(a) camelô, o(a) barraqueira(a), o(a) feirante e todos(as) os(as) vendedores(as) de rua!

Viva o dia 14 de novembro!

Comissão Nacional de Vendedores(as) Ambulantes

 ABAEM – BELO HORIZONTE Associação dos Barraqueiros da Área Externa do Mineirão

AEFO – RIO DE JANEIRO Associação de Expositores das Feirartes e Outros

APROVACE – FORTALEZA Associação Profissional do Comércio de Vendedores Ambulantes do Estado do Ceará

ASFERAP – PORTO ALEGRE Associação Feira Rua da Praia

ASFAERP – SALVADOR Associação dos Feirantes e Ambulantes da região metropolitana de Salvador

ASSOCIAÇÃOAMBULANTES DO GASÔMETRO – PORTO ALEGRE

FÓRUM DOS AMBULANTES DE SÃO PAULO

SINCOVAM-MANAUS Sindicato do Comércio de Vendedores Ambulantes de Manaus

MUCA – RIO DE JANEIRO Movimento Unido dos Camelôs

SINDFEIRAS – MANAUS Sindicato do Comércio Varejista dos Feirantes de Manaus

CENTRO GASPAR GARCIA DE DIREITOS HUMANOS

STREETNET INTERNATIONAL

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